O Avanço da Navegação e Guias Personalizados na CMI do Pé e Tornozelo
19 de novembro de 2025
A natureza percutânea da Cirurgia Minimamente Invasiva (CMI) do pé e tornozelo, embora seja a fonte de seus benefícios clínicos (menor trauma tecidual), é também o principal motivo de sua dificuldade técnica. A ausência de exposição direta do campo cirúrgico torna a orientação espacial dos instrumentos (fresas, brocas e osteótomos) extremamente desafiadora, exigindo o uso constante de radioscopia (fluoroscopia), o que aumenta a exposição à radiação para a equipe e o paciente.
Descobertas Recentes:
A solução para esse dilema reside no desenvolvimento de tecnologias que transformam a CMI em um procedimento de super-precisão.
- Sistemas de Navegação (Navigation Systems): A aplicação de sistemas de navegação 3D, semelhantes aos utilizados na neurocirurgia e na cirurgia de coluna, está chegando ao pé e tornozelo. Esses sistemas rastreiam em tempo real a posição dos instrumentos em relação à anatomia óssea pré-operatória do paciente (obtida por Tomografia Computadorizada), exibindo tudo em uma tela de monitoramento. Isso é particularmente útil para o alinhamento de artrodeses e correções de deformidades complexas, garantindo o posicionamento ideal dos implantes e o corte ósseo preciso, diminuindo drasticamente a necessidade de raios-X intraoperatórios.
- Guias de Corte Personalizados (Patient-Specific Instruments – PSIs): A tendência mais promissora é o uso de guias de corte e perfuração feitos sob medida. Baseados no planejamento cirúrgico virtual, esses guias são impressos em 3D e se encaixam perfeitamente na superfície óssea do paciente. Eles orientam o cirurgião a fazer o corte exato e no ângulo preciso, simplificando procedimentos complexos como osteotomias corretivas e realinhamento do tornozelo, que, de outra forma, exigiriam ampla experiência e múltiplos controles radioscópicos na CMI.
Essas tecnologias não apenas elevam a precisão do procedimento, resultando em melhores resultados clínicos e menor taxa de revisão, mas também reduzem a curva de aprendizado, pois fornecem um “mapa” em tempo real para o cirurgião, tornando a técnica minimamente invasiva mais replicável e segura.