Andar na ponta dos pés: causas, quando investigar e como é o tratamento

22 de abril de 2026

Primeiramente, crianças com mais de 5 anos que andam na ponta dos pés precisam ser investigadas. As principais causas podem estar relacionadas à ansiedade, TDAH, autismo ou até mesmo a lesões neurológicas.

Por isso, antes mesmo de procurar um ortopedista ou iniciar a fisioterapia, pode ser importante buscar avaliação com um neurologista, psicólogo ou psiquiatra para identificar a causa correta do problema.

Neste artigo, explicamos as principais causas, como o ortopedista avalia o caso, quando o alongamento cirúrgico é indicado e como funciona a recuperação.


O que acontece com o tempo se a criança continuar andando na ponta dos pés?

Com o passar do tempo, ao manter esse padrão de marcha, o tendão de Aquiles pode acabar encurtando. Ou seja: originalmente, ele não é a causa do problema, mas passa a se tornar parte dele com o tempo.

Nesse momento, o ortopedista e o fisioterapeuta entram em ação. O objetivo é tratar o encurtamento adquirido, mesmo que a causa original seja comportamental ou neurológica.


Como o ortopedista avalia o caso?

Na prática clínica, avaliamos a dorsiflexão do pé com o joelho esticado. Esse é o teste fundamental para decidir o tratamento.

  • O que é a dorsiflexão? É a capacidade de levar o pé para cima, em direção à canela. Com o joelho esticado, o tendão de Aquiles fica em máxima tensão, o que permite avaliar seu comprimento real.

Dois cenários possíveis:

Primeiro cenário: a criança consegue alcançar 90 graus (pé alinhado com a canela) ou mais.

  • Nesse caso, normalmente indicamos manter os exercícios e o acompanhamento na fisioterapia.
  • O alongamento é feito de forma conservadora.

Segundo cenário: a criança não consegue chegar a 90 graus com o joelho esticado.

  • Isso indica encurtamento real do tendão de Aquiles.
  • Nesse caso, geralmente indicamos o alongamento cirúrgico do tendão de Aquiles por técnica minimamente invasiva.

Como é o alongamento cirúrgico minimamente invasivo?

Quando o alongamento conservador não é suficiente, realizamos o procedimento por técnica minimamente invasiva. As características são:

  • Anestesia local (não precisa de anestesia geral profunda)
  • Apenas três pequenos furinhos na pele (nada de cortes grandes)
  • Liberação para pisar imediatamente após o procedimento
  • Sem necessidade de botas ou muletas
  • Recuperação rápida — a criança pode recuperar uma marcha normal em cerca de dois meses

Portanto, o procedimento é simples, seguro e com pouquíssimo impacto no dia a dia da criança.


Qual a importância de investigar e tratar precocemente?

O mais importante é procurar tratamento e investigar as causas originais o quanto antes.

Por quê? Para evitar que o problema evolua e seja necessário um tratamento ortopédico mais complexo no futuro.

Se a criança continua andando na ponta dos pés sem investigação:

  • O tendão de Aquiles pode encurtar progressivamente
  • A marcha fica cada vez mais alterada
  • Podem surgir dores, limitações e compensações em outras articulações (joelhos, quadril, coluna)

Portanto, não ignore o padrão de andar na ponta dos pés após os 5 anos. Quanto mais cedo a investigação, melhor o prognóstico.


Checklist para os pais (o que fazer se seu filho anda na ponta dos pés)

Se seu filho tem mais de 5 anos e mantém esse padrão de marcha, siga este checklist:

  • Observe há quanto tempo ele anda na ponta dos pés (sempre ou às vezes?)
  • Ele tem outros sinais? (dificuldade de atenção, ansiedade, interação social diferente?)
  • Procure primeiro um pediatra para uma avaliação geral
  • Considere avaliação com neurologista, psicólogo ou psiquiatra (antes do ortopedista, se houver suspeita de causa neurológica/comportamental)
  • Leve ao ortopedista especialista em pé e tornozelo para avaliar o encurtamento do tendão
  • Pergunte ao ortopedista: “Meu filho consegue 90 graus de dorsiflexão com o joelho esticado?”
  • Se não conseguir, pergunte se o alongamento cirúrgico minimamente invasivo é indicado

Perguntas frequentes sobre andar na ponta dos pés

Andar na ponta dos pés é normal em crianças pequenas?

Sim, até os 3 anos, é comum crianças passarem por fases de andar na ponta dos pés. No entanto, se o padrão persiste após os 5 anos, é necessário investigar.

Meu filho anda na ponta dos pés, mas não tem autismo. Pode ser outra coisa?

Sim. As causas incluem ansiedade, TDAH, lesões neurológicas e também o chamado “toe walking idiopático” (sem causa aparente). Por isso, a investigação é fundamental.

Fisioterapia resolve?

Depende. Se a criança ainda consegue atingir 90 graus de dorsiflexão, a fisioterapia geralmente é suficiente. Se já há encurtamento fixo (não chega a 90 graus), o alongamento cirúrgico é a melhor opção.

cirurgia dói?

O procedimento é feito com anestesia local. No pós-operatório, a dor é mínima e bem controlada com medicamentos simples. A criança começa a pisar no mesmo dia.

Precisa de bota ou muleta?

Não. Essa é uma das grandes vantagens da técnica minimamente invasiva. A criança sai andando (com orientações) e não precisa de imobilização rígida.

Quanto tempo leva para a criança voltar a andar normalmente?

Em geral, a recuperação de uma marcha normal leva cerca de dois meses. No entanto, os primeiros resultados (melhora imediata do ângulo do pé) já são vistos no dia seguinte.

E se não tratar?

Se não tratado, o encurtamento do tendão pode se tornar fixo e mais difícil de corrigir no futuro. Além disso, podem surgir dores e limitações em outras articulações.


Conclusão

Andar na ponta dos pés após os 5 anos merece atenção. O primeiro passo não é o ortopedista, mas sim a investigação da causa original (neurológica, comportamental ou psiquiátrica).

Uma vez identificada a causa, o ortopedista avalia o tendão de Aquiles. Se ele já está encurtado a ponto de não alcançar 90 graus com o joelho esticado, o alongamento cirúrgico minimamente invasivo é a melhor opção — um procedimento simples, seguro e com recuperação rápida.

O mais importante: não deixe para depois. Investigue cedo, trate a causa original e, se necessário, corrija o encurtamento do tendão. Assim, a criança terá uma marcha normal e saudável para a vida inteira.


Próximo passo

Se seu filho tem mais de 5 anos e continua andando na ponta dos pés, agende uma consulta. O Dr. Rodrigo Astolfi está pronto para avaliar o caso e indicar o melhor tratamento.


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