Se você suspeita que tem pé plano ou já sabe que tem e, além disso, está sentindo dor, chegou a hora de entender como é feito o diagnóstico correto. Afinal, muitas pessoas acreditam que basta olhar para o pé e perceber se ele é “chato” para saber se existe algum problema. No entanto, a realidade é muito mais complexa.
Em primeiro lugar, o diagnóstico do pé plano vai muito além da simples observação do arco plantar. Na prática, o especialista realiza uma avaliação clínica detalhada e, além disso, utiliza testes físicos específicos para analisar o funcionamento do pé. Quando necessário, também podem ser solicitados exames de imagem. Dessa forma, é possível avaliar não apenas o formato do pé, mas também sua função, a integridade das estruturas de suporte e a presença de possíveis condições associadas.
Além disso, cada pessoa pode apresentar características diferentes. Por isso, o diagnóstico não deve considerar somente a aparência do arco plantar. É importante também avaliar se existe dor, limitação para caminhar, alteração na maneira de pisar ou outros sinais que possam indicar uma alteração funcional.
Neste guia completo, o Dr. Rodrigo Astolfi, ortopedista especialista em pé e tornozelo, explica passo a passo como é feito o diagnóstico do pé plano. Além disso, você vai entender quais exames podem ser solicitados e, principalmente, o que cada um deles pode revelar sobre a condição do seu pé.
Por fim, o diagnóstico correto é fundamental para definir o tratamento mais adequado. Isso porque nem todo pé plano precisa de tratamento e, da mesma forma, nem todo pé plano que causa dor deve ser tratado da mesma maneira. Portanto, a avaliação individualizada com um especialista é essencial para entender a causa dos sintomas e definir a melhor conduta para cada caso.
Antes mesmo de procurar um especialista, você pode fazer algumas observações em casa que ajudam a identificar a presença de pé plano. Esses sinais não substituem uma avaliação médica, mas são um bom ponto de partida.
Este é o teste mais simples e popular para identificar o pé plano em casa.
| Padrão da Pegada | Significado |
| Marca mostra a curva interna (arco) | Pé normal |
| Marca mostra o pé inteiro, sem curva | Pé plano |
| Marca mostra apenas a borda externa e os dedos | Pé cavo (arco alto) |

O desgaste do seu calçado pode revelar muito sobre sua pisada.
Fique em pé, descalço, em uma superfície plana, e observe seu pé por trás.
Resumo importante:
Esses testes caseiros são apenas indicativos. Eles ajudam a levantar a suspeita de pé plano, mas não substituem a avaliação médica. Muitas pessoas com pegada plana são assintomáticas e não precisam de tratamento. O diagnóstico definitivo e a decisão sobre o tratamento devem ser feitos por um especialista.
O diagnóstico do pé plano é um processo que combina três etapas principais: a anamnese (entrevista), o exame físico e, quando necessário, os exames de imagem.
O primeiro passo do diagnóstico é uma conversa detalhada com o paciente. O Dr. Rodrigo irá perguntar sobre:
Sintomas:
Histórico:
Atividades:
Queixa principal:
O exame físico é a etapa mais importante do diagnóstico. O Dr. Rodrigo irá avaliar seu pé em diferentes posições e realizar testes específicos.
Posição sentada (sem carga):
Posição em pé (com carga):
Observação por trás:
Observação da frente:
Marcha (como você anda):

Durante a avaliação, o médico irá tocar (palpar) seu pé para identificar pontos dolorosos:
Avaliação da Subtalar:
Teste de Jack:
Avaliação do Tendão Calcâneo (Aquiles):
Teste do Tendão Tibial Posterior:
Além disso, dependendo dos achados do exame físico, exames complementares podem ser solicitados. Nesse caso, o Dr. Rodrigo irá indicar o exame mais adequado para cada caso. Dessa forma, a investigação pode ser direcionada de acordo com os sinais encontrados durante a avaliação. Por isso, a escolha do exame deve considerar, principalmente, as características apresentadas por cada paciente.
Tabela: Quando Cada Exame é Indicado
| Exame | Indicação Principal | O que Avalia |
| Raio-X (Radiografia) | Avaliação inicial, suspeita de pé plano | Estrutura óssea, gravidade da deformidade, coalizões |
| Tomografia Computadorizada (TC) | Suspeita de coalizão tarsal, planejamento cirúrgico | Anatomia óssea detalhada, barra óssea/cartilaginosa |
| Ressonância Magnética (RNM) | Suspeita de disfunção tendinosa, lesões de partes moles | Tendões, ligamentos, inflamação, coalizões |
Além disso, o raio-X é o exame inicial mais comum e, frequentemente, o primeiro solicitado. Por isso, é utilizado como uma avaliação inicial. Além de ser um exame rápido e indolor, também apresenta baixo custo. Dessa forma, pode ser uma opção inicial para a avaliação do pé plano.
Incidências (posições) utilizadas:
O que observa-se no Raio-X:
Resumo importante:
Além disso, o raio-X com carga (em pé) é fundamental para o diagnóstico do pé plano. Isso porque ele mostra como o pé se comporta com o peso do corpo e, dessa forma, fornece informações mais relevantes do que uma radiografia sem carga. Por isso, a avaliação com carga é especialmente importante durante a investigação do pé plano.
A TC é um exame de imagem mais detalhado que o raio-X, capaz de mostrar cortes finos das estruturas ósseas.
Indicações principais:
Na coalizão tarsal, a TC:
Técnica:
Vantagens:
Além disso, a tomografia é o exame de escolha para diagnosticar coalizão tarsal. Isso porque ela pode identificar a barra óssea mesmo antes da ossificação completa, especialmente em pacientes jovens com sintomas. Dessa forma, o exame permite uma avaliação mais detalhada da coalizão. Por isso, na dúvida, a TC resolve.

A ressonância magnética é o exame de imagem mais completo para avaliação das partes moles (tecidos não ósseos).
Indicações principais:
O que a RNM avalia no pé plano:
Vantagens:
Quando é indicada:
Além disso, a ressonância é o melhor exame para avaliar tendões e ligamentos. Por isso, se o Dr. Rodrigo suspeita que seu tendão tibial posterior está comprometido, a RNM é o exame mais adequado. Dessa forma, é possível avaliar com mais detalhes essas estruturas.
Além dos exames de imagem, o Dr. Rodrigo pode realizar testes físicos específicos durante a consulta para avaliar a função do seu pé.
Primeiramente, veja como é feito:
Quanto à interpretação:
Além disso, veja como é feito:
Na interpretação:
Por fim, veja como é feito:
Interpretação:
Como é feito:
Como é feito:
Interpretação:
Além disso, o Dr. Rodrigo também avalia se os sintomas podem ser causados por outras condições que imitam o pé plano. Por isso, o diagnóstico diferencial é fundamental para evitar tratamentos inadequados. Dessa forma, é possível definir uma conduta mais adequada para cada caso.
| Condição | Sintomas | Como Diferenciar do Pé Plano |
| Fascite plantar | Dor no calcanhar, piora pela manhã | Pode ocorrer sem pé plano. O exame físico e o raio-X ajudam a diferenciar. |
| Tendinopatia do tibial posterior | Dor medial, piora com atividades | Pode ocorrer sem pé plano. A RNM confirma o diagnóstico. |
| Coalizão tarsal | Rigidez, espasmo dos fibulares, pé plano rígido | TC ou RNM confirmam a coalizão. |
| Artrite inflamatória | Inchaço, rigidez, dor em múltiplas articulações | Exames laboratoriais e imagem ajudam a diferenciar. |
| Neuropatia | Dor em queimação, alteração de sensibilidade | Associada a diabetes ou outras condições neurológicas. |
| Tálus vertical congênito | Pé plano rígido desde o nascimento | Raio-X Perfil mostra o tálus verticalizado. |
O diagnóstico do pé plano em crianças segue a mesma lógica do adulto, mas com algumas particularidades.
Lembre-se: até os 7-10 anos, o pé plano é considerado fisiológico (normal). Portanto, a maioria das crianças desenvolve o arco naturalmente.
| Idade | Exames |
| < 10 anos | Principalmente clínico. Raio-X em casos selecionados. |
| 10-14 anos | Raio-X (importante para avaliar coalizão calcâneo-navicular). |
| > 14 anos | Mesmos exames do adulto. |
Sinal importante em adolescentes:
O raio-X oblíquo lateral em adolescentes (9-14 anos) pode demonstrar barra ou sincondrose calcâneo-navicular — sinal de coalizão tarsal.
Resumo importante sobre o diagnóstico:
| Etapa | O que é feito |
| Anamnese | Entrevista sobre sintomas, histórico, atividades |
| Exame Físico | Inspeção, palpação, testes de mobilidade, avaliação da marcha |
| Testes Físicos | Teste de Jack, Silfverskiöld, avaliação do tibial posterior |
| Exames de Imagem | Raio-X (inicial), TC (coalizão), RNM (tendões/partes moles) |
| Diagnóstico | Classificação do tipo, causa, gravidade e plano de tratamento |
O diagnóstico do pé plano é um processo que combina uma avaliação clínica detalhada com exames de imagem quando necessários. O Dr. Rodrigo Astolfi realiza uma avaliação completa para determinar não apenas a presença do pé plano, mas também seu tipo, sua causa e sua relação com os sintomas que você apresenta.
As principais conclusões sobre o diagnóstico do pé plano:
Se você suspeita que tem pé plano e apresenta dor ou limitação, não deixe de procurar uma avaliação com um especialista.
Se você apresenta dor, fadiga ou limitação ao caminhar devido ao pé plano, agende uma consulta com o Dr. Rodrigo Astolfi para uma avaliação completa e diagnóstico preciso.
Você pode fazer o teste da pegada molhada e observar o desgaste do seu calçado. No entanto, o diagnóstico definitivo deve ser feito por um ortopedista especialista.
Não. O exame físico é o passo mais importante. O raio-X é solicitado quando há dúvidas ou para avaliar a gravidade e planejar o tratamento.
Não. São indicadas em casos específicos, especialmente quando há suspeita de coalizão tarsal ou disfunção tendinosa.
A tomografia computadorizada (TC) é o exame de escolha, pois mostra detalhadamente a barra óssea ou cartilaginosa. A ressonância também pode identificar coalizões.
É um sinal radiográfico característico de coalizão talocalcânea — não é artrose como muitos imaginam. É um achado que ajuda o especialista a fazer o diagnóstico correto.
O raciocínio é o mesmo, mas o médico considera o desenvolvimento natural do arco (até 7-10 anos é normal). Em adolescentes (9-14 anos), o raio-X oblíquo lateral pode identificar coalizão calcâneo-navicular.
Não. O diagnóstico é clínico (anamnese + exame físico). Os exames de imagem são complementares.
Sim. Identificar o tipo (flexível ou rígido), a causa (congênita ou adquirida) e a gravidade é essencial para definir o tratamento mais adequado.