Se você chegou até aqui, provavelmente já sabe o que é o pé plano e já identificou alguns sintomas. Agora surge a pergunta que realmente importa: qual é o tratamento do pé plano?
A resposta, porém, não é única. O tratamento do pé plano varia de acordo com o tipo de deformidade, a presença e intensidade dos sintomas, a idade do paciente e o impacto na qualidade de vida. Enquanto algumas pessoas nunca precisarão de qualquer intervenção, outras encontrarão na cirurgia a única solução definitiva para a dor e a limitação funcional.
Neste guia completo, explicamos todas as opções de tratamento do pé plano disponíveis, desde as medidas mais simples até os procedimentos cirúrgicos avançados, para que você possa tomar uma decisão informada sobre o que fazer no seu caso.
O tratamento do pé plano só é necessário quando há dor ou déficit funcional. O pé plano assintomático, mesmo com arco ausente, não requer qualquer intervenção. Não tratar quem não tem dor.
O tratamento do pé plano só é indicado quando a condição causa sintomas que afetam a qualidade de vida do paciente. O formato do pé, por si só, não determina a necessidade de tratamento.
Resumo importante:
O tratamento do pé plano é indicado apenas para pacientes com comprometimento funcional devido à pisada, ou seja, quando a deformidade causa dor ou limita as atividades. Para o pé plano que causa dor ou déficit funcional, somente a cirurgia resolve.
Muitas pessoas têm pé plano e vivem a vida inteira sem qualquer dor ou limitação. Estima-se que 15% a 20% da população tenha pés planos e seja completamente assintomática.
Não tratar quem não tem dor. O pé plano assintomático, mesmo com arco ausente ou com navicular acessório, não requer nenhuma intervenção. O formato do pé, por si só, não é doença.
O tratamento do pé plano segue uma abordagem gradual, com objetivos claros em cada etapa. O Dr. Rodrigo recomenda esta progressão, mas com uma ressalva importante: para o pé plano que causa dor ou déficit funcional, somente a cirurgia resolve.
| Etapa | Abordagem | Objetivo |
| 1º Passo | Medidas conservadoras (calçados adequados, fisioterapia funcional, controle de peso) | Alívio inicial dos sintomas |
| 2º Passo | Palmilhas e órteses | Alívio temporário dos sintomas |
| 3º Passo | Tratamento cirúrgico | Única solução definitiva para dor ou déficit funcional |
Resumo importante sobre a abordagem:
Sempre cirúrgico. Tratar conservadoramente um pé plano sintomático pode impedir uma cirurgia menos invasiva no futuro. Quanto mais tempo a deformidade progride, mais complexa a cirurgia se torna. Para o pé plano que causa dor ou déficit funcional, somente a cirurgia resolve.
O tratamento conservador do pé plano é a primeira linha de abordagem para pacientes com sintomas leves a moderados. Essas medidas não corrigem a deformidade, mas podem aliviar os sintomas e melhorar a função.
A escolha do calçado certo é uma das medidas mais importantes no tratamento conservador do pé plano.
| Característica | Benefício |
| Solado firme | Dá estabilidade ao pé |
| Palmilha macia | Absorve o impacto |
| Contraforte rígido (parte de trás) | Sustenta o calcanhar |
| Extensão medial (suporte na parte interna) | Ajuda a sustentar o arco |
| Boa amplitude (não aperta o pé) | Evita compressão e dor |
Calcanhar de Thomas:
Para crianças de 3 a 9 anos sintomáticas, o Dr. Rodrigo pode recomendar calçados com calcanhar de Thomas, uma cunha medial no calcanhar que ajuda a alinhar o pé.
Observação importante:

Além disso, a obesidade é um fator de risco importante para o pé plano sintomático. Por isso, cada quilo a mais sobrecarrega as estruturas de suporte do arco.
Nesse sentido, os principais benefícios da perda de peso no tratamento do pé plano incluem:
Além disso, algumas recomendações importantes incluem:
A fisioterapia tem um papel limitado no tratamento do pé plano, ao contrário do que muitos imaginam. Estudos mostram que a musculatura tem pouca atuação na manutenção estática do arco.
Estudos confirmam que a musculatura tem pouca atuação na manutenção estática do arco. Por isso, exercícios de fortalecimento intrínseco e extrínseco não são prioritários no tratamento do pé plano. A fisioterapia é uma ferramenta auxiliar, não a solução definitiva.
O uso de palmilhas é uma das dúvidas mais frequentes sobre o tratamento do pé plano. Muitos acreditam que a palmilha pode “corrigir” o arco — mas isso não é verdade.
| Situação | Indicação |
| Crianças assintomáticas | Não indicado — não há benefício |
| Crianças sintomáticas (3-9 anos) | Calçados com suporte (não órteses pré-fabricadas) |
| Crianças sintomáticas (10-14 anos) | Órtese moldada de polipropileno |
| Adultos sintomáticos | Para alívio temporário dos sintomas |
| Tipo | Indicação | Característica |
| Pré-fabricadas | Casos leves | Compradas prontas, ajuste limitado |
| Moldadas (polipropileno) | Casos moderados a severos | Feitas sob medida a partir de molde de gesso |
Para paciente de 10 a 14 anos sintomáticos:
O Dr. Rodrigo orienta órtese moldada de polipropileno, confeccionada por molde em positivo de gesso moldado no pé do paciente em posição de correção (retropé e antepé em posição neutra, flexão plantar do 1º raio e restituição do arco).
Palmilhas e órteses são para alívio temporário dos sintomas, não para correção definitiva. Elas podem ajudar a aliviar a dor enquanto a decisão sobre o tratamento cirúrgico é avaliada. Para o pé plano que causa dor ou déficit funcional, somente a cirurgia resolve.
A cirurgia é a única solução definitiva para o pé plano que causa dor ou déficit funcional. O Dr. Rodrigo é especialista em cirurgia minimamente invasiva do pé e tornozelo, realizando procedimentos modernos com excelentes resultados.
A cirurgia é indicada para pacientes com:
Atualmente, o Dr. Rodrigo utiliza técnicas modernas e minimamente invasivas. Dessa maneira, escolhendo o procedimento mais adequado para cada caso.
Indicação: Nesse caso, pacientes com valgo excessivo do retropé, sem abdução importante do antepé.
Objetivo: Dessa forma, deslocar a parte posterior do calcâneo para medial, restaurando o alinhamento de carga do pé.
Técnica: Para isso, a incisão lateral de cerca de 6cm, osteotomia oblíqua e deslocamento de 1/3 a 1/2 da largura do calcâneo para medial, fixação com fios de Kirschner.
Indicação: Além disso, pacientes com abdução do antepé e encurtamento da coluna lateral do pé.
Objetivo: Nesse procedimento, alongar a coluna lateral do pé por inserção de enxerto ósseo.
Técnica: Em seguida, osteotomia 1,5cm proximal à articulação calcâneo-cuboidea, com inserção de enxerto trapezoidal (10-12mm medialmente e o dobro lateralmente).
Avaliação intraoperatória: Além disso, verificar se há dorsiflexão do tornozelo >10° com joelho estendido, caso contrário, realizar alongamento do tendão calcâneo.
Indicação: Por sua vez, pé plano flexível com falha do tratamento conservador.
Técnica: Por fim, combina avanço do tendão tibial posterior com flap osteoperiosteal e artrodese da articulação naviculo-cuneiforme medial.
Indicação: Casos mais graves, especialmente em adolescentes com pé plano rígido sem coalizões tarsais, e em pacientes mais velhos com degeneração articular.
Técnica: Fusão das três articulações peritalares (subtalar, talonavicular e calcâneo-cuboidea).
Idade mínima: Idade óssea > 12 anos.
Abordagem: Duas incisões (dorsolateral e medial) com ressecção de cunhas ósseas para correção da deformidade.
Consideração: Por fim, o paciente deve estar ciente da perda de inversão/eversão em troca da melhora da dor.

A coalizão tarsal é uma condição específica que não tem tratamento conservador eficaz. Diferente de outras causas de pé plano, a fusão anormal entre os ossos do pé não responde a imobilização, fisioterapia, palmilhas ou qualquer outra medida não cirúrgica.
Coalizão tarsal = SEMPRE CIRÚRGICO. Não se trata com imobilização, fisioterapia, palmilhas ou qualquer outra abordagem conservadora. A cirurgia é a única opção que resolve a causa do problema. Tratar conservadoramente uma coalizão tarsal sintomática não só é ineficaz, como pode impedir uma cirurgia menos invasiva no futuro.
| Procedimento | Indicação |
| Ressecção da barra com interposição (técnica de Bentzon) | Pacientes mais jovens (< 15-16 anos), com barra limitada e sem degeneração articular |
| Artrodese subtalar ou tríplice | Pacientes mais velhos ou com degeneração articular significativa |
O navicular acessório é um osso extra presente em 10-14% dos pés normais.
Nunca imobiliza, não serve pra nada. A imobilização prolongada não resolve o problema e apenas atrasa o tratamento definitivo. Quando o navicular acessório dói, a correção é cirúrgica.
| Situação | Conduta |
| Assintomático (não dói) | Não tratar — apenas observar |
| Sintomático (dói, limita atividades) | Cirurgia — correção do pé plano + em alguns casos, remoção do osso |
Primeiramente, quando o navicular acessório dói, realiza-se:
O tratamento do pé plano em crianças segue a mesma lógica do adulto, porém com algumas particularidades importantes.
O arco do pé não se desenvolve completamente até os 7-10 anos de idade. Pois, até essa idade, o pé plano é considerado fisiológico (normal) e não requer tratamento na maioria dos casos.
| Faixa Etária | Conduta |
| Nascimento – 3 anos | Não tratar com calçados especiais ou órteses (exceto história familiar importante) |
| 3 – 9 anos – Assintomático | Não há necessidade de tratamento |
| 3 – 9 anos – Sintomático | Calçados com suporte, mas sem evidência robusta de benefício |
| 10 – 14 anos – Assintomático | Não há necessidade de tratamento |
| 10 – 14 anos – Sintomático | Órtese moldada de polipropileno, sob orientação médica |
A cirurgia em crianças é indicada apenas para casos selecionados:
Idade mínima: Idade óssea > 12 anos para certos procedimentos (como artrodese tríplice).
No adulto, o tratamento do pé plano depende se a condição é assintomática ou sintomática.
Abordagem gradual:
| Característica | Pé Plano Flexível | Pé Plano Rígido |
| Tratamento conservador | Pode ajudar em casos leves | Não é eficaz |
| Palmilhas | Alívio temporário | Não resolvem |
| Cirurgia | Para casos selecionados com sintomas | Sempre cirúrgico (coalizão) |
| Abordagem do Dr. Rodrigo | Conservador → palmilhas → cirurgia (se necessário) | Cirurgia é a única opção |
A recuperação da cirurgia de pé plano varia conforme a técnica utilizada.
| Abordagem | Por que não funciona |
| Palmilhas para corrigir o arco em crianças | Não têm poder de criar arco; crianças tratadas e não tratadas têm o mesmo resultado |
| Exercícios de fortalecimento para criar arco | Músculos têm pouca atuação na manutenção estática do arco |
| Sapatos ortopédicos infantis | Não alteram o formato final do pé |
| Tratamento de pé plano assintomático | Não há benefício em tratar quem não tem dor |
| Imobilização para navicular acessório | Não serve pra nada — quando dói, a correção é cirúrgica |
| Situação | Conduta |
| Pé plano assintomático | Não tratar — apenas observar |
| Pé plano com sintomas leves | Calçados adequados, controle de peso, fisioterapia funcional |
| Pé plano com sintomas moderados | Palmilhas e órteses para alívio temporário |
| Pé plano com dor ou déficit funcional | Cirurgia é a única solução |
| Coalizão tarsal sintomática | Sempre cirúrgico |
| Navicular acessório sintomático | Correção do pé plano + remoção do osso |
O tratamento do pé plano é variado e deve ser individualizado para cada paciente. Enquanto algumas pessoas nunca precisarão de qualquer intervenção, outras encontrarão na cirurgia a única solução definitiva para a dor e a limitação funcional.
Se você apresenta dor, fadiga ou limitação relacionada ao pé plano, não ignore os sinais. Agende uma consulta com o Dr. Rodrigo Astolfi para uma avaliação completa e tratamento personalizado.
Se você apresenta dor, fadiga ou limitação ao caminhar devido ao pé plano, agende uma consulta com o Dr. Rodrigo Astolfi para uma avaliação completa e tratamento personalizado.
O pé plano é uma condição anatômica, não uma doença. Na infância, a maioria desenvolve o arco naturalmente. Na vida adulta, o objetivo do tratamento não é “curar” o formato, mas eliminar os sintomas. O pé plano assintomático não precisa de tratamento.
Se seu filho é assintomático (não sente dor, não tem fadiga e brinca normalmente), não há necessidade de tratamento. Palmilhas e órteses não têm evidência de eficácia para corrigir o formato do pé em crianças.
Estudos confirmam que a musculatura tem pouca atuação na manutenção estática do arco. O fortalecimento muscular não é prioritário no tratamento do pé plano.
A cirurgia é indicada para pacientes com dor importante ou déficit funcional (ex: criança que não consegue jogar futebol, adulto que não consegue caminhar). Para esses casos, somente a cirurgia resolve.
O pós-operatório envolve desconforto controlado com medicação adequada. O objetivo da cirurgia é aliviar a dor crônica a longo prazo.
Não há uma idade ideal única. A cirurgia é indicada quando há indicação clínica. Em crianças, geralmente se aguarda o fim do crescimento esquelético (idade óssea > 12 anos) para certos procedimentos.
A recidiva é possível, especialmente se a causa da deformidade não for completamente corrigida ou se houver progressão de condições associadas. O acompanhamento pós-operatório é fundamental.
Não imobiliza. Quando dói, o Dr. Rodrigo faz a correção do pé plano e, em alguns casos, retira o osso. Assintomático = não tratar.
Não. Coalizão tarsal = sempre cirúrgico. Tratar conservadoramente pode impedir uma cirurgia menos invasiva no futuro.
Sim, desde que use calçados adequados e não tenha dor. Muitos corredores de elite têm pés planos