Ruptura do tendão de Aquiles: sintomas e como identificar a lesão
19 de abril de 2026
Primeiramente, a ruptura do tendão de Aquiles é uma lesão que assusta, principalmente quando acontece durante uma atividade física. O principal motivo do susto é o estalo — um som audível de “pop” ou “estouro” — que muitos pacientes relatam no momento da lesão.
Para começar, é importante entender que o tendão de Aquiles é o maior e mais forte tendão do corpo humano. Ele conecta os músculos da panturrilha ao osso do calcanhar. Quando ele se rompe, a pessoa perde imediatamente a capacidade de empurrar o pé para baixo — ou seja, fica impossibilitada de ficar na ponta do pé.
Neste blog, explicamos detalhadamente os sintomas da ruptura do tendão de Aquiles, como diferenciá-la de outras lesões (como torção ou lesão muscular) e quando procurar um especialista.
Quais são os sintomas da ruptura do tendão de Aquiles?
A ruptura do tendão de Aquiles tem sintomas muito característicos. Geralmente, eles aparecem de forma súbita, durante um esforço físico.
Os principais sintomas incluem:
Primeiramente, o estalo audível é o mais característico. Muitos pacientes descrevem a sensação de ter sido atingidos por uma pancada ou algo “estourando” na parte de trás da perna. Esse estalo é frequentemente audível por outras pessoas próximas. Portanto, é o sinal de alerta mais importante da ruptura.
Além disso, a dor súbita e intensa surge imediatamente após o estalo. Ela é localizada na região do tendão (parte de trás do tornozelo). Geralmente, a dor é forte o suficiente para interromper a atividade.
Outro sintoma fundamental é a dificuldade (ou incapacidade) de ficar na ponta do pé. Esse é o sintoma funcional mais importante. O paciente não consegue empurrar o pé para baixo. Como resultado, fica impossibilitado de ficar na ponta do pé ou dar passadas normais.
Além disso, o inchaço e o hematoma aparecem rapidamente na região do tornozelo e panturrilha. Equimoses (roxos) podem surgir ao redor do calcanhar e subir pela perna. Esses sinais costumam piorar nas primeiras horas.
Por fim, o paciente sente uma sensação de fraqueza e “pé frouxo”. A pisada fica anormal (arrastando o pé). Há dificuldade para subir escadas ou correr.
Quando a ruptura do tendão de Aquiles costuma acontecer?
A ruptura do tendão de Aquiles é mais comum em determinadas situações. Primeiramente, durante esportes de impacto, como futebol, basquete, tênis e corrida. Além disso, em movimentos de aceleração súbita, como sair do lugar correndo ou mudar de direção rapidamente.
Outro fator importante é a idade. Geralmente, a ruptura afeta pessoas de meia-idade (30 a 50 anos), principalmente homens que praticam esportes de fim de semana. No entanto, ela também pode acontecer em pessoas mais jovens (atletas) ou em idosos, geralmente associada a tendinopatias prévias.
Por fim, o uso de certos medicamentos (corticoides ou antibióticos do grupo das quinolonas) aumenta o risco de ruptura.
Como diferenciar a ruptura de outras lesões?
Uma das principais dificuldades é diferenciar a ruptura do tendão de Aquiles de outras lesões comuns. Abaixo, explicamos as principais diferenças.
Primeiramente, na ruptura do tendão de Aquiles, a dor é localizada atrás do tornozelo (região do tendão). Por outro lado, na torção de tornozelo, a dor é nas laterais do tornozelo (ligamentos).
Além disso, na ruptura, o paciente não consegue ficar na ponta do pé. Já na torção, geralmente é possível ficar na ponta do pé (com dor).
Outra diferença importante: na ruptura, a lesão ocorre cerca de 5 cm acima do osso do calcanhar. Por outro lado, na lesão muscular da panturrilha, a dor é no meio da “barriga da perna”.
O teste clínico mais importante é o seguinte: o médico aperta a panturrilha do paciente. Se o pé não se movimentar, é um sinal clássico de ruptura completa do tendão de Aquiles.
Portanto, se você sentiu um estalo, não consegue ficar na ponta do pé e tem dor atrás do tornozelo, é muito provável que seja uma ruptura do tendão de Aquiles.
Checklist para levar ao médico (se você suspeita de ruptura)
Se você sentiu um estalo e está com dor e dificuldade para andar, leve estas informações para o pronto-socorro ou para o especialista:
- Você sentiu ou ouviu um “estalo” no momento da lesão?
- Você consegue ficar na ponta do pé? (tente com os dois pés e compare)
- Onde exatamente está a dor? (atrás do tornozelo, lateral, na panturrilha?)
- Há quanto tempo aconteceu a lesão? (horas, dias?)
- Você já teve problemas no tendão de Aquiles antes? (tendinite, dor prévia?)
- Você usa algum medicamento contínuo? (corticoides, antibióticos?)
Essas informações vão ajudar o médico a dar o diagnóstico correto rapidamente.
Quando procurar um especialista imediatamente?
A ruptura do tendão de Aquiles é uma lesão que exige atendimento ortopédico rápido. Procure um especialista (ortopedista com experiência em pé e tornozelo) imediatamente se você apresenta:
- Estalo audível no momento da lesão
- Incapacidade de ficar na ponta do pé (não consegue levantar o calcanhar do chão)
- Dor intensa e súbita na região do tendão
- Dificuldade importante para andar (pé arrastando)
- Inchaço rápido atrás do tornozelo
Quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento, melhores são os resultados e mais previsível é a recuperação.
Perguntas frequentes sobre ruptura do tendão de Aquiles
A ruptura do tendão de Aquiles dói muito?
Sim. Geralmente, a dor é intensa no momento da lesão e nas primeiras horas. No entanto, alguns pacientes relatam dor surpreendentemente suportável, especialmente se a ruptura for parcial.
Dá para andar com a ruptura do tendão de Aquiles?
Dá para andar, mas com muita dificuldade. O paciente manca e arrasta o pé, pois não consegue empurrar o pé para baixo. No entanto, não é recomendado apoiar o pé sem imobilização adequada.
Ruptura do tendão de Aquiles pode ser confundida com torção?
Sim, e isso é comum. A torção de tornozelo é muito mais frequente. Por isso, muitas rupturas são inicialmente diagnosticadas como torção. No entanto, o teste da panturrilha e a incapacidade de ficar na ponta do pé diferenciam as duas lesões.
Toda ruptura do tendão de Aquiles precisa de cirurgia?
Não necessariamente. A ruptura pode ser tratada de forma conservadora (imobilização) ou cirúrgica. A cirurgia é geralmente preferida para pessoas jovens e ativas, pois apresenta menor taxa de rerruptura e melhor recuperação funcional.
O que acontece se não tratar a ruptura?
Se não tratada, a ruptura do tendão de Aquiles não cicatriza adequadamente. Como resultado, o paciente fica com fraqueza permanente para ficar na ponta do pé e para praticar esportes. A marcha fica alterada e pode haver dor crônica.
Ruptura do tendão de Aquiles tem recuperação total?
Sim, na grande maioria dos casos. Com o tratamento adequado (cirúrgico ou conservador) e fisioterapia, a maioria dos pacientes retorna às atividades normais e aos esportes entre 6 e 12 meses.
Conclusão: saiba reconhecer os sintomas da ruptura do tendão de Aquiles
A ruptura do tendão de Aquiles é uma lesão grave, mas tem excelente prognóstico quando tratada precocemente.
Os sintomas mais importantes para você saber:
- Estalo audível no momento da lesão
- Dor súbita atrás do tornozelo
- Incapacidade de ficar na ponta do pé (o sintoma mais específico)
- Inchaço e hematoma na região
Portanto, se você suspeita de uma ruptura, não ignore os sinais. Procure um ortopedista especialista em pé e tornozelo rapidamente para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento.
O Dr. Rodrigo Astolfi está pronto para avaliar o seu caso e indicar a melhor abordagem — conservadora ou cirúrgica — para você voltar a andar, correr e ficar na ponta do pé sem limitações.
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